Brasileiro protagoniza grande recuperação nas 6 Horas de Fuji e leva o BMW #32 do Team WRT ao topo da LMGT3. Na Hypercar, Toyota conquista vitória em casa em final decidido por menos de um segundo.
O hino brasileiro voltou a tocar no Campeonato Mundial de Endurance da FIA. Augusto Farfus venceu neste domingo (27) as 6 Horas de Fuji, no Japão, depois de uma corrida de recuperação e um stint final que colocou o brasileiro no centro de uma das grandes disputas da temporada.
Ao lado de Darren Leung e Sean Gelael, Farfus conduziu o BMW M4 GT3 EVO #32 do Team WRT à vitória na LMGT3. O trio precisou atravessar o pelotão ao longo das seis horas até chegar em condições de disputar a vitória nos minutos finais.
E foi justamente quando o carro chegou às mãos de Farfus que a corrida ganhou um novo roteiro.
Com cerca de 20 minutos para a bandeirada e o pelotão novamente agrupado após a intervenção do safety car, o brasileiro partiu para o ataque. Em uma sequência de ultrapassagens, avançou sobre os adversários, chegou à liderança e levou o BMW #32 à vitória.
Uma daquelas performances que ajudam a explicar por que Augusto Farfus construiu uma carreira tão longa e respeitada no automobilismo internacional.
Mais que uma vitória: Augusto Farfus e uma vida dedicada às pistas
Para quem acompanha o FIA WEC no Brasil, Augusto Farfus dispensa apresentações. Curitibano, nascido em 1983, ele construiu praticamente toda a sua vida profissional no automobilismo internacional e chega a 2026 em sua 27ª temporada como piloto profissional e sua sexta no Campeonato Mundial de Endurance.
Sua relação com a BMW é igualmente especial. Farfus integra a BMW M Motorsport desde 2007 e é hoje o piloto há mais tempo ligado ao atual grupo de pilotos oficiais da marca alemã.
São quase duas décadas de uma parceria que atravessou diferentes carros, categorias, continentes e algumas das provas mais importantes do automobilismo mundial.
No currículo estão duas vitórias nas 24 Horas de Daytona, em 2019 e 2020; vitória na FIA GT World Cup de Macau, em 2018; título do Intercontinental GT Challenge em 2020; vitória nas 12 Horas de Bathurst em 2025; além de grandes resultados em Nürburgring e em outras provas clássicas do endurance internacional.
Le Mans também ocupa um lugar importante nessa história. Em 2024, Farfus, Gelael e Leung terminaram em segundo lugar na LMGT3 nas 24 Horas de Le Mans, levando o brasileiro ao pódio da corrida mais emblemática do endurance mundial.
No FIA WEC, o trio já havia mostrado sua força em 2024, quando venceu as 6 Horas de Imola. Agora, reunidos novamente no BMW #32 em 2026, Farfus, Gelael e Leung acrescentam Fuji a essa história.
Mas há também algo que números e estatísticas não mostram.
Farfus é um dos grandes representantes do Brasil no paddock internacional e um piloto que mantém uma relação próxima com o público brasileiro. Em Interlagos, é um dos nomes mais procurados pelos fãs durante o fim de semana das 6 Horas de São Paulo e nunca escondeu o significado especial de correr diante de sua torcida.
Por isso, cada resultado como o deste domingo tem um sabor diferente por aqui.
Toyota vence em casa em decisão por menos de um segundo
Se a LMGT3 entregou emoção até os últimos minutos, a disputa pela vitória geral não ficou atrás.
A Alpine #36 esteve entre as grandes protagonistas da corrida e parecia caminhar para a vitória, mas uma intervenção do safety car na última hora abriu uma nova janela estratégica.
A Toyota aproveitou a oportunidade.
O Toyota #8, de Ryo Hirakawa, Sébastien Buemi e Brendon Hartley, fez uma parada curta para combustível e saltou da sexta posição para a liderança.
Quando a bandeira verde voltou, Hirakawa tinha pela frente cerca de 20 minutos para defender a posição de Victor Martins, no Alpine #36.
Depois de seis horas de corrida, os dois receberam a bandeirada separados por apenas 0s591.
Uma diferença mínima que resume bem o nível de competitividade do FIA WEC atual.
A BMW #15 completou o pódio da Hypercar.
Um campeonato em que tudo pode mudar até a última volta
Fuji mostrou mais uma vez uma das características que tornam o endurance tão particular.
Não basta ser rápido.
É preciso administrar tráfego, pneus, combustível, mudanças de temperatura, neutralizações, estratégia e dezenas de decisões tomadas durante horas de corrida.
A Alpine liderou boa parte da prova e viu a vitória escapar no final. A Toyota transformou uma oportunidade estratégica em vitória. E, na LMGT3, Farfus e seus companheiros passaram horas construindo uma recuperação que só se transformou em primeiro lugar nos minutos finais.
É justamente essa combinação entre velocidade, resistência, estratégia e imprevisibilidade que faz do Campeonato Mundial de Endurance uma categoria diferente.
E que faz uma corrida de seis horas poder ser decidida praticamente na última volta.
Próxima parada: Barcelona
Depois de Fuji, o FIA WEC retorna à Europa para a reta final da temporada.
A próxima etapa será inédita: as 6 Horas de Barcelona, entre os dias 16 e 18 de outubro, no Circuit de Barcelona-Catalunya, na Espanha. A prova entra no calendário de 2026 em substituição à etapa originalmente prevista no Qatar e marcará a primeira visita do FIA WEC ao circuito catalão.
Depois de Barcelona, o campeonato segue para a etapa final da temporada, em Monza, na Itália, de 6 a 8 de novembro.
E a história continua.
Para o público brasileiro, há ainda outro encontro marcado: o FIA WEC volta ao Autódromo de Interlagos de 9 a 11 de julho de 2027, para mais uma edição das 6 Horas de São Paulo.
Os ingressos para as 6 Horas de São Paulo 2027 já estão à venda.
Aline Vilatte
Head das 6 Horas de São Paulo




